quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sobre a urgência da Inteligência na Educação



É fato que o século XX ficou marcado na história como o mais violento, cruel e (des)humano: duas guerras mundiais e centenas de pequenas guerras caracterizadas por diferenças étnicas, religiosas e políticas, demonstrando o pouco grau de desenvolvimento da Inteligência até então atingido pela sociedade.
O Ser Humano, como ser histórico, construído e construtor do meio social no qual está inserido, é responsável pela construção do destino que venha a ser configurado pela sua sociedade. Tornamo-nos seres humanos a partir do processo dialético proveniente das relações humanas que nos possibilita a compreensão da realidade, e para tanto necessitamos da nossa Inteligência.
Exortamos que as divergências entre as concepções de Inteligência são um ponto crucial de empecilho ao ensino da e para a compreensão, afinal compreender exige mais do que intelecto, este que é por nós considerado uma falsa racionalidade, tal qual postula Morin (2005), mesmo porque intelecto nada mais é que o acúmulo de conhecimentos e técnicas às quais fomos apresentados; porém, racionalidade e inteligência exigem tornar tais técnicas em saberes, isto é, exige que os signifiquemos, ou parafraseando este mesmo autor o conhecimento do conhecimento é assunto prioritário para a educação da compreensão (2005).
Assim, nossa preocupação com o despertamento, construção e desenvolvimento da Inteligência, com o fato de que o único movimento humano capaz de nos levar adiante sem mais fomentar e/ou promover o conflito é aquele que promete, propõe e promove o desenvolvimento humano integral; somadas à convicção de que o ser humano não pode tornar-se integrado e integral sem o conhecimento adequado das dimensões que o constitui, e que esta compreensão advém da Inteligência desperta, construída e/ou desenvolvida em grau significativo, comprovam a relevância da temática ora proposta.
Em função dos estudos que viemos realizando ao longo desses últimos sete anos, relativos à Inteligência, a nossa experiência sugere que o maior desafio do ser humano é compreender a vida e, para tanto, ele lança mão da sua Inteligência, de modo que, quanto maior for o seu grau, tanto maior será a sua compreensão acerca da vida.
Pois que, parece-nos claro, a Inteligência, quando despertada, construída e/ou desenvolvida em grau significativo no Ser Humano, ajuda-o a: a) autoconhecer; b) adaptar-se facilmente ao meio no qual está inserido; bem como c) agir de maneira sempre nova com as contingências da vida, isto é, a ser criativo, a partir da compreensão dos problemas que lhes são apresentados, ou melhor, do desconhecido, principalmente de si mesmo.
Assim considerado, vale destacarmos o valor das relações humanas no contexto da vida. A atividade-fim do ser humano é compreender a vida, para tanto, ele lança mão da atividade-meio específica – o viver – que nada mais é do que ser e estar em relações; afinal, não é demais salientar que, no Universo, nada vive no isolamento e tudo são ações nas relações. Daí vale lembrar que o valor significativo real de uma relação não só é a busca de segurança, da satisfação e da dita felicidade, mas, também, da autorrevelação, para que possa haver, no ser, o conhecimento, o autoconhecimento e a autorrealização, tomando como exemplo a Moralidade do Universo, qual a conduta dos corpos celestes denuncia, indubitavelmente.
Cumpre-nos, pois, ousarmos experimentar o que É, tal qual É, a dinâmica da vida, ou seja, a realidade, da forma mais intensa possível. Afinal, parece-nos claro que, à medida que experimentamos, de forma direta, correta e completa, a dinâmica da vida, nossa Inteligência se desenvolve, e nossos problemas diminuem.
Vivemos, portanto, um momento decisivo na história da humanidade. Se inconscientemente encaminhada, tal situação pode levar o planeta à destruição; se orientada com Inteligência, levará a humanidade a um crescimento qualitativo.
A educação, por sua vez, não pode ficar alijada desse processo. É chegada a hora de tratarmos a Inteligência de forma mais específica e profundada na prática pedagógica, buscando contribuir, efetivamente, para o desenvolvimento humano como um todo.
A partir do exposto, vale reforçarmos que nosso caminho natural é o despertamento da nossa Inteligência, como tarefa emergencial, inclusive e principalmente, por meio da Educação, ainda que tenhamos muitos limites e/ou obstáculos para tal. Afinal, a Educação tem por finalidade auxiliar os educandos nesse processo do desenvolvimento integral, assim como nas suas relações com a realidade e com os valores existenciais. 

(Trecho do livro Ensaios sobre Inteligência, 2011 - No prelo)

domingo, 13 de novembro de 2011

SOBRE A INTELIGÊNCIA Uma conversa entre J. Krishnamurti e o Dr. David Bohm


SOBRE A INTELIGÊNCIA
Uma conversa entre
J. Krishnamurti e o Dr. David Bohm*


Bohm: Eu sempre gosto de buscar a origem das palavras e o seu significado. A palavra inteligência tem uma origem muito interessante, vem de "inter" e "legere" que significam "ler entre". A meu ver poderíamos dizer que o pensamento é como a informação num livro, e que a inteligência deve lê-la, extrair o seu significado. Acho que isto dá uma boa noção do que é inteligência.
Krishnamurti: Ler entre as linhas.
Bohm: Sim, reconhecer o seu significado. Há também um outro significado relevante para esta palavra no dicionário: estar mentalmente alerta.
Krishnamurti: Sim, estar mentalmente alerta.
Bohm: Bem, isto é bem diferente do que as pessoas têm em mente quando medem a inteligência. Considerando o que você tem dito, poderíamos afirmar que a inteligência não é o pensamento. Você diz que o pensamento tem lugar no cérebro antigo, que é um processo físico, eletromecânico; a ciência tem provado com ampla evidência que o pensamento é essencialmente um processo químico, mecânico. Poderíamos dizer talvez que a inteligência não é da mesma ordem, de forma alguma da mesma natureza do tempo.
Krishnamurti: Inteligência.
Bohm: Sim, a inteligência lê entre as linhas do pensamento, percebe o seu significado. Há ainda um antes de penetrarmos nesta questão: se dizemos que o pensamento é físico, então a mente ou inteligência não importa o nome que você queira dar, parece ser diferente, de uma natureza diferente. Você diria que há uma diferença real entre o físico e a inteligência?
Krishnamurti: Sim. Estamos dizendo que o pensamento é matéria? Vamos colocar as coisas de forma um pouco diferente.
Bohm: Matéria? Eu preferiria chamá-lo de um processo material.
Krishnamurti: Está bem; o pensamento é um processo material. Qual é a relação entre ele e a inteligência? Será a inteligência um produto do pensamento?
Bohm: Eu acho que podemos admitir que não é.
Krishnamurti: Por que assim admitir?
Bohm: Simplesmente porque o pensamento é mecânico.
Krishnamurti: O pensamento é mecânico, isto é verdade.
Bohm: A inteligência não é.
Krishnamurti: Assim, o pensamento é mensurável, a inteligência não é. Como é que esta inteligência vem à existência? Se o pensamento não está relacionado com a inteligência, então será que a cessação do pensamento é o despertar da inteligência? Ou será que a inteligência, sendo independente do pensamento e do tempo, existe portanto sempre?
Bohm: Isto levanta muitas questões difíceis.
Krishnamurti: Eu sei.
Bohm: Gostaria de estudar a questão dentro de um contexto de pensamento que possibilitasse a associação com as visões científicas existentes.
Krishnamurti: Sim.
Bohm: Para mostrar que ela se enquadra ou não. Então, você diz que a inteligência pode ter sempre existido.
Krishnamurti: Eu estou perguntando: existirá ela sempre?
Bohm: Talvez sim, talvez não. É possível que algo interfira com a inteligência?
Krishnamurti: Os Hindus têm a teoria de que a inteligência, ou Brahman, sempre existiu, mas está coberta pela ilusão, pela matéria, pela estupidez, por todo tipo de coisas enganosas criadas pelo pensamento. Não sei se você iria assim tão longe na sua concepção.
Bohm: Bem, sim; nós na realidade não percebemos a existência eterna da inteligência.
Krishnamurti: Eles dizem: descasque toda esta crosta que a coisa lá está. Assim, supõem que ela sempre existiu.
Bohm: Há uma dificuldade na palavra sempre.
Krishnamurti: É.
Bohm: Porque "sempre" implica tempo.
Krishnamurti: Correto.
Bohm: E é exatamente este o problema: tempo é pensamento - eu diria ainda que o pensamento é da ordem do tempo - ou talvez ao contrário, que o tempo é da ordem do pensamento. Em outras palavras, o pensamento inventou o tempo e, de fato, o pensamento é tempo. Do meu ponto de vista, o pensamento pode varrer toda a extensão do tempo num instante, mas ele está sempre mudando fisicamente - por razões físicas, quero dizer.
Krishnamurti: Sim.
Bohm: Sem razões racionais.
Krishnamurti: Não.
Bohm: As razões não estão associadas com algo total, mas com movimentos físicos no cérebro, portanto ...
Krishnamurti: ... elas dependem do meio ambiente e de todo tipo de coisas.
Bohm: Assim, à medida que o pensamento muda com o tempo, seu significado não mais é consistente: torna-se contraditório, modifica-se de forma arbitrária.
Krishnamurti: Sim, estou acompanhando o seu raciocínio.
Bohm: Então começa-se a pensar que tudo está em mudança e percebe-se que "Eu estou no tempo". Quando o tempo é estendido ele se torna imenso: o passado antes de eu vir à existência, retrocede cada vez mais longe no tempo, e também o futuro se distancia, fazendo com que se conceba que o tempo é a essência de tudo, que o tempo conquista tudo. A criança inicialmente pode pensar, "Eu sou eterna", mas a seguir começa a compreender que ela está no tempo. A visão comum a que chegamos é que o tempo é a essência da existência. Acho que esta é não só a visão da maioria, mas também a visão científica. É muito difícil abandonar tal visão porque há um condicionamento intenso, mais forte ainda que o condicionamento do observador e da coisa observada.
Krishnamurti: É verdade. Estamos afirmando que o pensamento pertence ao domínio do tempo, que é mensurável, que pode se modificar, expandir-se? E a inteligência, é ela de uma qualidade completamente diferente?
Bohm: Sim, de ordem diferente, de qualidade diferente. Tenho uma impressão interessante desse pensamento com respeito ao tempo. Se pensarmos no passado e no futuro, imaginamos que o passado torna-se o futuro; mas podemos ver que isto não é possível, que é apenas pensamento. No entanto, tem-se a impressão que o passado e o futuro estão presentes ao mesmo tempo e que há um movimento de outro tipo, que o padrão como um todo está se movendo.
Krishnamurti: O padrão corno um todo está se movendo.
Bohm: Mas não consigo imaginar como este movimento se dá. De certa forma ele ocorre numa direção perpendicular à direção entre o passado e o futuro. Então começo a pensar que este movimento todo se dá em outro tempo.
Krishnamurti: É isso.
Bohm: Mas isto nos leva de volta ao paradoxo.
Krishnamurti: É verdade. Estará a inteligência além do tempo, e portanto, sem relação com o pensamento, que é um movimento no tempo?
Bohm: Mas o pensamento tem de estar relacionado com ela.
Krishnamurti: Será? Estou questionando. Eu acho que ele não está relacionado.
Bohm: Não relacionado? Mas parece haver alguma relação, no sentido que você pode distinguir entre o pensamento inteligente e aquele que não o é.
Krishnamurti: Sim, mas isto requer inteligência: reconhecer o pensamento não-inteligente.
Bohm: Mas quando a inteligência lê o pensamento, qual é o relacionamento?
Krishnamurti: Vamos devagar ...
Bohm: O pensamento responde à inteligência? O pensamento não se modifica?
Krishnamurti: Sejamos simples. O pensamento é tempo. O pensamento é movimento no tempo. O pensamento é mensurável e funciona no domínio do tempo, tudo movendo, mudando e transformando. Estará a inteligência no domínio do tempo?
Bohm: Bem, nós já vimos que de certa forma ela não pode estar. Mas isto não está totalmente claro. Em primeiro lugar, o pensamento é mecânico.
Krishnamurti: O pensamento é mecânico, isto está claro.
Bohm: Em segundo lugar, de certa forma há um movimento que está voltado para uma outra direção.
Krishnamurti: O pensamento é mecânico, sendo mecânico ele pode se mover em direções diferentes, etc., etc. Será a inteligência mecânica? É esta a colocação.
Bohm: Cabe então a pergunta: o que significa ser mecânica?
Krishnamurti: Repetitiva, mensurável, comparativa.
Bohm: Eu diria também dependente.
Krishnamurti: Sim, dependente.
Bohm: A inteligência - coloquemos isto claramente - a inteligência não pode ser dependente de condições. No entanto, parece que de certa forma a inteligência não opera se o cérebro não está saudável.
Krishnamurti: Obviamente.
Bohm: Neste sentido a inteligência parece depender do cérebro.
Krishnamurti: Ou da quietude do cérebro?
Bohm: Está bem, ela depende da quietude do cérebro.
Krishnamurti: E não da atividade do cérebro.
Bohm: Há ainda alguma relação entre a inteligência e o cérebro. Nós uma vez discutimos este ponto há muitos anos atrás quando eu levantei a idéia que na física pode-se usar um instrumento de medida de duas maneiras: a positiva e a negativa. Por exemplo, pode-se medir uma corrente elétrica pelo balanço da agulha de um instrumento, ou pode-se usar o mesmo instrumento no que se chama a ponte de Wheatstone, onde a leitura que se busca é uma leitura de nulo: sendo que uma leitura de nulo indica equilíbrio, harmonia entre os dois lados do sistema como um todo. Assim, quando o instrumento é usado negativamente, a não movimentação do instrumento é um sinal de que ele está operando corretamente. Poderíamos afirmar que o cérebro possivelmente usa o pensamento positivamente para fazer uma imagem do mundo ...
Krishnamurti: ... e esta é a função do pensamento - uma das funções.
Bohm: A outra função é negativa, e através do seu movimento indica desarmonia.
Krishnamurti: Sim, desarmonia. Vamos prosseguir daqui. Será a inteligência dependente do cérebro - chegamos a esse ponto? Ou quando utilizamos a palavra "dependente", o que queremos significar?
Bohm: Ela tem vários significados possíveis. Pode indicar uma simples dependência mecânica, mas há um outro significado - o de que "um não pode existir sem o outro". Se afirmo que "dependo de comida para existir" isto não quer dizer que tudo que penso é determinado pelo que como.
Krishnamurti: É verdade.
Bohm: Assim proponho que a inteligência depende para a sua existência deste cérebro, que pode indicar desarmonia, mas o cérebro não tem nada a ver com o conteúdo da inteligência.
Krishnamurti: Então se o cérebro não é harmônico, pode a inteligência operar?
Bohm: Esta é a questão.
Krishnamurti: É isto que estamos dizendo. Ela não pode operar se o cérebro está danificado.
Bohm: Se a inteligência não opera, haverá inteligência? Portanto, parece que a inteligência precisa do cérebro para existir.
Krishnamurti: Mas o cérebro é apenas um instrumento.
Bohm: Que indica harmonia ou desarmonia.
Krishnamurti: Mas não é o criador da outra.
Bohm: Não.
Krishnamurti: Vamos devagar.
Bohm: O cérebro não cria a inteligência, mas é um instrumento que ajuda a inteligência a operar. É isto.
Krishnamurti: É isto. Agora, se o cérebro está operando no domínio do tempo, para cima e para baixo, negativamente e positivamente, poderá a inteligência operar neste movimento temporal? Ou precisará este instrumento estar quieto de modo que a inteligência possa operar?
Bohm: Sim. Eu colocaria a questão de forma um pouco diferente. A quietude do instrumento é a operação da inteligência.
Krishnamurti: Está certo. Os dois não são separados.
Bohm: Eles são unos e o mesmo. A inquietude do instrumento é a falha da inteligência.
Krishnamurti: Certo. Agora, como esta inteligência ocorre, ou melhor, quando ela desperta?
Bohm: Mais uma vez a pergunta pertence ao domínio do tempo.
Krishnamurti: É por isso que não quero usar as palavras "quando" e "como".
Bohm: Você poderia talvez dizer que a condição para que ela desperte é o não funcionamento do pensamento.
Krishnamurti: É.
Bohm: Mas o não funcionamento do pensamento já é o próprio despertar, e não uma condição. Não se pode nem inquirir se existem condições para o despertar da inteligência. Mesmo falar de uma condição é um tipo de pensamento.
Krishnamurti: Sim. Concordemos que qualquer movimento do pensamento em qualquer direção, vertical, horizontal, em ação ou não ação, esta ainda no tempo.
Bohm: Sim.
Krishnamurti: Então qual é a relação deste movimento com esta inteligência que não é um movimento, que não pertence ao domínio do tempo, que não é o produto do pensamento? Onde podem os dois se encontrar?
Bohm: Eles não se encontram. Mas existe mesmo assim uma relação.
Krishnamurti: É isto que estamos tentando descobrir. Há realmente qualquer relacionamento? Pensamos que há um relacionamento, desejamos que haja um relacionamento, projetamos um relacionamento. Há um relacionamento afinal?
Bohm: Depende do que você entende por relacionamento.
Krishnamurti: Estar em contato, reconhecimento, um sentimento de estar em contato.
Bohm: Bem, a palavra relacionamento pode significar algo mais.
Krishnamurti: Que outro significado tem ela?
Bohm: Por exemplo, a existência de um paralelo, a harmonia dos dois. Isto é, duas coisas podem estar relacionadas sem contato, simplesmente estando em harmonia.
Krishnamurti: Harmonia significa um movimento de ambos na mesma direção?
Bohm: Pode também significar de certa forma manterem-se na mesma ordem.
Krishnamurti: Na mesma ordem: mesma direção, mesma profundidade, mesma intensidade - tudo isto é harmonia. Mas poderá mesmo o pensamento ser harmonioso? - pensamento como movimento, não o pensamento estático.
Bohm: Compreendo. Há o pensamento que se abstrai como estático, dentro de uma visão geométrica por assim dizer, que pode ter alguma harmonia: mas o pensamento à medida que se move é sempre contraditório.
Krishnamurti: Portanto não possui harmonia em si próprio. Mas a inteligência possui harmonia em si própria.
Bohm: Acho que percebo a fonte da confusão. Temos os produtos estáticos do pensamento que parecem ter uma certa harmonia relativa. Mas esta harmonia ao que me parece é realmente o resultado da inteligência. Na matemática pode-se obter uma certa harmonia relativa como produto do pensamento, ainda que o movimento do pensamento do matemático não esteja necessariamente em harmonia; e em geral este é o caso. Agora, aquela harmonia que aparece na matemática é o resultado da inteligência, não é?
Krishnamurti: Prossiga.
Bohm: Não é harmonia perfeita porque toda forma de matemática tem se provado limitada; é por isso que eu a chamo de harmonia relativa.
Krishnamurti: Sim. Agora há harmonia no movimento do pensamento. Caso positivo, então ele está relacionado com a inteligência. Caso contrário, não há harmonia, mas apenas contradições, e então o pensamento não está relacionado com ela.
Bohm: Você diria que poderíamos prescindir do pensamento?
Krishnamurti: Eu colocaria as coisas de forma inversa. A inteligência usa o pensamento.
Bohm: Está bem. Mas como pode ela usar algo que é desarmônico?
Krishnamurti: Expressão, comunicação, usando o pensamento que é contraditório, que e desarmônico, para criar coisas no mundo.
Bohm: No entanto, é necessário que haja harmonia num outro sentido, naquilo que é feito com o pensamento, como já descrevemos.
Krishnamurti: Vamos devagar. Podemos inicialmente colocar em palavras (negativamente ou positivamente) o que é inteligência, e o que não é inteligência? Ou será isto impossível uma vez que palavras são pensamento, tempo, medida, e assim por diante?
Bohm: Não podemos colocar em palavras. Estamos tentando apontar. Podemos dizer que o pensamento pode operar como um ponteiro para a inteligência, e assim suas contradições não importam.
Krishnamurti: Correto.
Bohm: Porque não o estamos usando em vista do seu conteúdo ou significado, mas sim como um ponteiro que aponta para além do domínio do tempo.
Krishnamurti: Então o pensamento é um ponteiro. O conteúdo é a inteligência.
Bohm: O conteúdo para o qual ele aponta.
Krishnamurti: Sim. Poderíamos colocar este assunto de forma completamente diferente? Poderíamos dizer que o pensamento é estéril?
Bohm: Sim. Quando ele se move por conta própria, sim.
Krishnamurti: O qual é mecânico, e tudo o mais. O pensamento é um ponteiro, mas sem inteligência o ponteiro não tem valor.
Bohm: Poderíamos dizer que a inteligência lê o ponteiro? Se o ponteiro não tem ninguém para olhá-lo, então o ponteiro não aponta.
Krishnamurti: É verdade. Então a inteligência é necessária. Sem ela o pensamento não tem significado nenhum.
Bohm: Mas poderíamos agora dizer: se o pensamento não é inteligente ele aponta de forma bastante confusa?
Krishnamurti: Sim, de forma irrelevante.
Bohm: Irrelevante, sem significado, e assim por diante. Com a inteligência ele começa a apontar de outra forma. Mas então de alguma forma o pensamento e a inteligência parecem se fundir numa função comum.
Krishnamurti: Sim. Assim podemos perguntar: o que é ação relacionada com a inteligência? Certo?
Bohm: Sim.
Krishnamurti: O que é ação em relação com a inteligência: e no desenrolar desta ação será o pensamento necessário?
Bohm: Sim; o pensamento é necessário e este pensamento aponta obviamente na direção da matéria. Mas ele parece apontar em ambas direções - apontando também de volta na direção da inteligência. Uma das questões que sempre surgem é a seguinte: devemos dizer que a inteligência e a matéria são meramente uma distinção dentro da mesma coisa, ou são elas diferentes? Estão elas realmente separadas?
Krishnamurti: Acho que são separada, distintas.
Bohm: Elas são distinta, mas são realmente separadas?
Krishnamurti: O que você quer dizer com a palavra "separada"? Não relacionada, não conectada, sem uma fonte comum?
Bohm: Sim. Terão elas uma fonte comum?
Krishnamurti: Exatamente. Terão o pensamento, a matéria e a inteligência uma fonte comum? (Pausa longa). Acho que têm.
Bohm: De outra forma não poderia haver harmonia, é claro.
Krishnamurti: Portanto, o pensamento tem o seu lugar.
Bohm: Isto é muito interessante porque o pensamento nunca é na realidade controlado ou dominado pela inteligência - o pensamento sempre se move por conta própria. Mas à luz da inteligência, quando a falsidade é percebida, então o pensamento se move em paralelo ou em harmonia com a inteligência.
Krishnamurti: Certo.
Bohm: Mas não há nada que force o pensamento a fazer o que quer que seja. Isto sugere que a inteligência e o pensamento possuem esta origem ou substância comum, e que eles são dois modos de chamar a atenção para um todo maior.


Artigo traduzido por Eduardo Weaver do livro
"The Awakening of Intelligence" de J. Krishnamurti
Ed. Gollancz. Londres. 1973. pg. 509 a 525.

Publicado na revista Logos no 8, março de 1982
* D. Bohm é professor de Física Teórica na Universidade de Londres,
autor de diversos livros onde são traçados paralelos entre o pensamento filosófico e científico entre eles. "A Causalidade e o Acaso na Física Moderna".

sábado, 8 de outubro de 2011

Inteligência não é o que você pensa - Osho

Saiba que intelectualidade não é Inteligência. Ser intelectual é ser falso, é fingir ser Inteligente. A intelectualidade não é real porque não é sua, mas emprestada.
Inteligência é o crescimento da consciência interior. Ela nada tem a ver com conhecimento, mas algo a ver com meditatividade. Uma pessoa Inteligente não age a partir de sua experiência passada; ela age no presente. Ela não reage, mas responde. Daí ela ser sempre imprevisível; não há como saber o que ela irá fazer.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

LIBERDADE É UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA: A INTELIGÊNCIA É PROVA CABAL DISTO


LIBERDADE É UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA: A INTELIGÊNCIA É PROVA CABAL DISTO

Tatiana de Amorim Badaró[1]



A Inteligência do Ser Humano
é senão a maior,
 a mais relevante representação
das Leis Naturais que regem o Universo,
das Leis Universais, enfim,
das Leis Divinas; eis que,
quando o Ser Humano
sente, pensa e age segundo estas Leis,
se não desperta, constrói
ou desenvolve a Consciência.
Jair Tércio


Resumo: Este artigo visa analisar a atual escravidão humana, considerando que um de seus anseios mais antigos e intensos é a libertação. É fato que a busca pela liberdade motiva o ser humano a caminhar em busca das noções exatas de aspectos como: Lei Natural, alma e Consciência; aspectos estes que nos impulsionam ao encontro da Realidade Absoluta, portanto à conquista da ansiada liberdade. Para compreender tal relação, bem como apontar caminhos para a abreviação de tal busca, o presente trabalho busca também refletir sobre: a) a atual crise humana vivenciada atualmente; b) o papel da Inteligência no processo de busca de nós mesmos; bem como, c) a relação existente entre liberdade e Consciência; afinal, para tornamo-nos livres é necessário compreendermos, inclusive, o significado e natureza da liberdade; e, por fim, a sua função.

Palavras-chaves: Inteligência. Consciência. Liberdade. Ser Humano.


*Artigo publicado no livro "Os ditames da Consciência, vol.2"


[1] Mestranda em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social (Fundação Visconde de Cairu); Extensão universitária em Emotional/Behavioral Disorders (Transtornos Emocionais/Comportamentais) pela Walden University, Minneapolis, Estados Unidos; Licenciada em Pedagogia (ISEO), tem experiência na área de Educação, pesquisadora da temática Inteligência, aprofundando-se principalmente nos seguintes temas: inteligência, teorias da inteligência e Inteligência e educação. Consultora na área de Inteligência, tendo ministrado cursos, capacitações e palestras sobre o tema. Membro da International Society of Intelligence Research (ISIR). Autora do livro Ensaios sobre Inteligência – vol.1 (no prelo).

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

TRABALHO APROVADO NO CONGRESSO INTERNACIONAL: RELIGION AND SPIRITUALITY IN SOCIETY

Intelligence as a Priority Resource for the Self-knowledge Process



Abstract
The human being cannot live without knowledge, however the actual individual and social chaos indicates that knowledge focus has been, if not mistaken, very much limited, this way, we suggest that the only knowledge that human being cannot disdain is the self-knowledge. Thus, we indicate that in the process of self-knowledge the human being must search to increase and use a unique and specific faculty – the Intelligence. Our methodological way had involved a large bibliographical research indicating us that the human being is endowed by several qualities, among them there are the qualities of feeling, thinking, desiring and Intelligence, and that, therefore, the day will come that in its evolutionary process individuals will find themselves lost in face of their living; then, will be pushed to think about how to get out of this confusion, in a intensity that will strongly desire to set themselves free from this. Then, will inquire, reflect, meditate, contemplate, at last, will, someway, use their Intelligence to labor in that dimension that is proved true and also transcendental. Intelligence is the faculty of recognizing the truth, thus, considering that the foundation of self-knowledge is to separate the fiction from the truth, Intelligence is the first step to a true spiritualized life, even though in a material world, even because recognize the balance that we need is a matter of seeing the truth, a matter of Intelligence. The human being is composed by a variety of entities, in the same way that concentrates in itself the totality of existence, so it must comprehend the process of each of these entities in a unique action of integration; inasmuch as we live in a world of causality – it means, each action produces a equal reaction in opposite way – only whom that is integrate can generate integration.


Colocarei a tradução do resumo no próximo post!